Afinados! Rio 2016 rendeu parceria musical entre mesatenistas e atletas do futebol de 5

28/09/2016 12:40
Além de mostrarem habilidade com as raquetes, Guilherme Costa e Diego Moreira demonstraram que mandam bem também com os instrumentos
 
Da redação, no Rio de Janeiro - 28/09/2016
 
A expressão "jogar por música", geralmente, é utilizada quando um time demonstra um grande entrosamento. Mas quem disse que nos esportes individuais os atletas também não podem jogar por música? Os mesatenistas Guilherme Costa, bronze por equipes Classe 1-2, e Diego Moreira podem provar isso. Pertencentes a Classes diferentes nos Jogos Paralímpicos - enquanto Guilherme é da Classe 2, Diego faz parte da Classe 9 -, os dois formaram uma parceria afinada fora das mesas e começaram um projeto musical que contou também com a presença de Ricardinho e Luan, ambos do futebol de 5.
 
O encontro entre os esportistas gerou três composições e uma amizade que acabou indo além dos limites do centro de treinamento paralímpico ou da Vila dos Atletas. Mas nada foi muito por acaso. Logo que soube que alguns jogadores do futebol de 5 haviam levado um violão para o CT, Guilherme já ficou atento para, assim que saíssem os primeiros acordes, pudesse se juntar e também fazer um som.


"Sou músico, toco gaita e tenho um ouvido atento. Onde tem barulho musical, vou averiguar (risos). Fiquei sabendo que o pessoal do futebol estava com um violão, pedi para as meninas, que eram vizinhas deles no hotel, me contar quando estivesse rolando uma música. Elas me avisaram, bati lá, acabei conhecendo os caras e teve uma sintonia. Logo avisei ao Diego e pedi para ele chegar também. Compusemos a primeira música, depois acabou vindo a segunda e estamos com a terceira engatilhada", disse Guilherme.
 
E a música já foi muito mais que apenas um hobby para Diego. O mesatenista, que durante os Jogos Paralímpicos bateu o italiano Mohamed Amine Kalem - que terminou com o bronze na Classe 9 -, já chegou a tocar na noite de São Paulo.
 
"Sou de São Carlos, interior de São Paulo, e sempre gostei de música. Meu pai toca violão, meu irmão é guitarrista... Então, desde menino sempre tive muito contato com música, sempre gostei. Com 18, 19 anos conheci um pessoal que fazia um samba na região e toquei com eles na noite durante uns cinco, seis anos. Tocava violão e cantava", disse ele, que completou:
 
"Desde criancinha, meu pai sempre me levou em oficina. Tanto eu quanto meu irmão, mas comecei a levar mais a sério mesmo quando tinha uns 20 anos, quando estudei um tempo e tudo mais. Tocava nesse grupo até voltar a jogar tênis de mesa, que aí não deu mais para conciliar as coisas"
 
A ligação de Guilherme com a música é um pouco mais recente. Apesar da habilidade com as palavras e composições, a relação ganhou mais força após ter entrado em um projeto, há quatro anos.
 
"Tenho uma banda há quatro anos, grupo Força Viva, uma banda religiosa. Sempre fui muito conectado à música, mas comecei a mexer com música mesmo há quatro, neste projeto. E há dois, estávamos gravando as três primeiras músicas e, conversando com o dono do estúdio, falei: "Queria tocar alguma coisa, mas, por conta da minha deficiência nas mãos, tenho dificuldade. Já tentei um monte de coisa, violão, piano, percussão... E não consigo. Ele virou e perguntou: E a gaita?". Comecei a tocar, fazer aula, me desenvolvi bem e já até gravei com a banda", lembrou. 
 
E engana-se quem acredita que não há conexão entre as atividades. O medalhista de bronze ressalta com a música ajuda no esporte e vice-versa:
 
"A disciplina que eu tenho no tênis de mesa, tenho com a música. E a música é minha válvula de escape, quando estou com a gaita, esqueço do mundo, esqueço da pressão durante as competições... Eu brinco dizendo que a gaita é minha meditação".
 
Apesar da distância geográfica, uma vez que cada atleta mora em um estado, a parceria não está descartada mesmo após o fim da Rio 2016, que foi a primeira edição de Jogos Paralímpicos dos dois mesatenistas. 
 
"As coisas saíram de uma forma muito natural, muito espontânea. Primeiramente, a gente gostou muito um do outro. Ricardinho tem uma sensibilidade muito grande tocando, o Gui é um cara com percepção de música muito boa, assim como o Luan. As coisas estão andando. Vamos ver o que acontece (risos)", salientou Diego.
 
Durante a preparação para a Rio 2016, alguns atletas encontraram com Jorge Aragão no saguão do hotel. Guilherme e Diego fizeram questão de registrar o momento e postar nas redes sociais.
 
"Caramba! O cara é unanimidade, compositor de mão cheia. Tem uma história muito rica com o samba. Então, foi um prazer conhecê-lo", garantiu Diego.

Ao lado de Iranildo Espíndola e Aloisio Lima, Guilherme Costa levou o bronze por equipes Classes 1-2, já Ricardo e Luan fizeram parte do elenco que ficou com o ouro no futebol de 5. Ricardo, inclusive, fez o gol que garantiu ao Brasil o lugar mais alto do pódio, na final contra o Irã.

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.

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