Brasileiro de Verão: De área carente de Manaus, irmãos derrubam obstáculos com ajuda do tênis de mesa

03/11/2016 12:58
Paixão pelo esporte começou com Marilson, o mais velho, que teve paralisia infantil e conheceu a modalidade aos 14 anos. Professor fala sobre dificuldades
 
Alexandre Araújo e José Augusto Assis, em Chapecó - 03/11/2016
 
Fotos: Christian Martinez
 
Jorge Teixeira II é um bairro à margem da periferia de Manaus e que tem um dos menores IDH's da capital amazonense. Na localidade, porém, em uma casa simples com seis moradores, há o crescimento de algo que não se pode mensurar, mas pode-se afirmar que é inversamente proporcional ao que os números indicadores apontam: a esperança. Essa luta contra a "lei natural" tem o tênis de mesa como fator preponderante e tudo começou com Marilson Silva, um jovem vítima de uma grave paralisia infantil e de sorriso fácil, que nunca deixou de acreditar em si mesmo e batalhar para alcançar grandes objetivos.
 
A família - mãe e cinco filhos -, atualmente, se sustenta com uma renda de aproximadamente R$ 900, quantia do governo destinada a Marilson, de 17 anos, por conta da deficiência dele. Alimento, muitas vezes, é algo raro. Prova disso é que na semana que antecedeu o Campeonato Brasileiro SAN-EI de Verão, eles não almoçaram e tiveram a ajuda de terceiros para que pudessem comer algo. Em um bairro onde o índice de criminalidade e homicídios são altos, o esporte tem mudado a caminhada de Marilson, Andrya (13 anos), Natahael (11), Daniel (11) e João Victor (9), todos praticantes de tênis de mesa.
 
A participação na competição aconteceu graças ao auxílio de muitas pessoas. Marilson, por exemplo, recebeu um patrocínio, enquanto Andrya teve uma mão de uma companheira de equipe, que recebe Bolsa-Atleta. Já para os mais novos, eventos e mobilização em rede social. Mas tudo foi possível por conta do professor Vivaldo Serafim. Foi ele quem apresentou a modalidade a Marilson e, posteriormente, aos outros membros da família. Um dos maiores incentivadores dos jovens, ele salienta a importância do tênis de mesa na vida deles.
 
"Eles moram em uma área que todo dia está no jornal, mas na editoria de polícia. O objetivo é, além de tirar a ociosidade, oferecer uma oportunidade. Eles estudam na rede municipal de ensino. Os dois mais velhos no Arthur Ingrasse da Silva e os mais novos no Esmeraldo dos Santos Bessa. Hoje, basicamente, eles treinam e estudam, não ficam na rua e coisas assim. Se algum deles se destacar... Todos eles são muito focados. Estar aqui é uma vitória muito maior do que qualquer esporte pode proporcionar", disse.
 
Marilson ressalta que as pessoas se surpreendem ao ver onde ele conseguiu chegar e demonstra otimismo ao falar do futuro, sem esconder a vontade de alçar voos ainda mais altos no tênis de mesa.
 
"Ninguém acreditava em mim. Onde moro, tinha muita gente que não dava nada por mim e hoje perguntam como consegui. Superei muita coisa. A vida é feita de fases e estou tentando passar por essa da melhor forma possível, sei que, no fim, o fruto que vou colher no fim dessa caminhada vai ser bom. Sonho em estar na Paralimpíada em Tóquio (2020)", disse ele.
 
Andrya, por sua vez, ressalta ainda que a família tem influenciado também a vizinhos e amigos, que começaram a se interessar pelo tênis de mesa.
 
"Nós melhoramos bastante. Foi uma grande mudança na nossa vida. Só os sacrifícios que fizemos para estar aqui, acho que já é uma vitória. E é legal porque já tem um monte de gente no bairro e no colégio querendo fazer também porque nos viu jogando. Eu pretendo me empenhar bastante para seguir carreira no esporte", afirma. 
 
Até o momento, Marlison ficou com o bronze por equipes na Classe 6 por clubes, enquanto Natahael e Daniel ficaram com o bronze na seleção estadual Pré-Mirim e prata equipe por clubes Pré-Mirim.
 
Fã de Hugo Hoyama
 
Uma das maiores satisfações de Marlison neste Campeonato Brasileiro SAN-EI de Verão foi conhecer Hugo Hoyama, quem o jovem tem como ídolo e exemplo no esporte. Durante a partida entre Cazuo e Hoyama, válido pela final de equipes de clubes, ele garantiu vaga logo na primeira fileira.
 
"Poder ver o Hugo Hoyama jogando ao vivo foi inesquecível. Fiquei admirado com ele. Já pedi para tirar foto e ele até brincou comigo. É um cara super humilde e legal".
 
Inspiração no futebol
 
Um das coisas que chamou a atenção em Marlison foi o corte de cabelo. Segundo ele, o visual foi especial para o Campeonato Brasileiro e a inspiração não teve nada a ver com tênis de mesa.
 
"É o corte do Guerreiro, atacante do Flamengo (risos). O pessoal no clube me apelidou assim, aí resolvi fazer o corte para vir para esta competição. Acho que ficou legal".
 

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.

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