Capacitação aponta avanços no esporte paralímpico no 53° Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa

12/12/2019 18:38

Muitas outras capacitações e reuniões estão programadas para ocorrer paralelamente ao campeonato e a agenda está disponível no site da CBTM

FOTO: Técnico Raphael Moreira. Crédito: Daniel Zappe.

 

São Paulo (SP), 11 de dezembro de 2019.

Por: Júnior Martins – Especial para a CBTM

Com uma programação intensa de capacitações e reuniões, o 53° Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa Interclubes 2019, de 11 a 15 de dezembro, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo-SP, quer ir para além das fronteiras do conceito de uma competição e, nessa linha, oportunizar a difusão de conhecimento sobre vários temas. E, em especial, o curso sobre Desenvolvimento do Esporte Paralímpico demonstra o progresso do esporte paralímpico brasileiro e, em adjacente, do paralímpico de tênis de mesa.

O técnico da seleção brasileira paralímpica adulta do tênis de mesa, Raphael Moreira, responsável pelo curso sobre Desenvolvimento do Esporte Paralímpico, ocorrido nesta quinta (12), no CT Paralímpico, diz que uma das evidências do crescimento do paralímpico nacional são as conquistas nos Jogos Paralímpicos de Verão. Mostra que o Brasil saltou de 22 medalhas em Sydney, passando por 33 em Atenas, 47 em Pequim e 43 em Londres até as 72 no Rio de Janeiro.

“Em conjunto ao cenário nacional de todas as modalidades, o tênis de mesa também avançou e fica evidente nos resultados em Jogos Paralímpicos, em que saltamos de uma medalha em Pequim para quatro no Rio de Janeiro. Os marcos desse crescimento foram Pequim e Londres, principalmente o segundo, dali em diante se criaram as seleções permanentes de cadeirantes e andantes e se teve maior aporte financeiro à profissionalização e à intercâmbios e viagens para treinos e competições. Foi o que permitiu quatro medalhas no Rio”, diz Raphael.

Para o técnico da seleção brasileira, Raphael Moreira, o tênis de mesa continua a evoluir e a se preparar para os jogos de Tóquio (2020) e faz isso ciente de que possui condições de ganhar medalhas. E, segundo ele, três pontos-chaves serão essenciais para continuar o desenvolvimento: a detecção de talentos, feita pela CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa) desde 2018, os cursos para treinadores e professores de educação física e a criação da seleção de jovens.

“Já tivemos alguns embriões da ideia de Detecção de Talentos, mas nunca foram pra frente e, de 2018 para cá, começamos a fazer de forma mais sistemática e hoje temos um grupo de diamantes, que são cerca de doze paratletas, os quais observamos e procuramos dar diretrizes para se desenvolverem. Também temos capacitado treinadores convencionais e professores de educação física para que possam desenvolver o tênis de mesa paralímpico”, explica Raphael.

De acordo com a professora doutora da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Taísa Belli, que ministrará, nesta sexta-feira (13.12), das 13h30 às 15h30, no CT Paralímpico, a capacitação sobre ‘Competências e Desenvolvimento do Treinador Esportivo’, o treinador tem papel fundamental no desenvolvimento do esporte paralímpico. E ela afirma ser primordial que esteja capacitado para fazer a diferença na vida do paratleta.

“Quando um treinador ou professor vai organizar uma sessão de treinos para um paratleta, além dele precisar saber organizar uma sessão de treinos como um todo, também precisará saber olhar especificamente para esse paratleta e saber identificar quais são as características e necessidades dele e montar uma sessão de treinos que contemplem as especificidades. Precisa ter olhar individualizado para cada Classe do paralímpico”, comenta a Dra. Taísa Belli.

Um dos mesa-tenistas participantes do 53° Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa, o paratleta Fernando Oliveira, 26 anos, representante do Ituano Futebol Clubes-SP, na Classe 6 Paralímpica, conheceu a modalidade na infância e por meio da versão de entretenimento, o ping-pong. Depois, na vida adulta, aos 21 anos, sofreu uma queda ao tropeçar num tapete e quebrou o fêmur. E por isso procurou o tênis de mesa para obter bem-estar físico e permaneceu deste então.

“Tenho uma deficiência muito grave e ao quebrar o fêmur a vida travou. Hoje adquiri uma junção de benefícios. Comecei em busca de bem-estar físico, mas depois passei a competir e, atualmente, consigo unir o útil ao agradável. Cuidar do corpo, treinar muito, viajar para vários lugares e faturar um pouco com a bolsa paralímpica nacional. A bolsa não resolve a vida, mas ajuda um pouco”, conta o mesa-tenista Fernando Oliveira, um dos principais do ranking da Classe 6.

Uma das principais dificuldades na trajetória esportista do Fernando Oliveira, é encontrar, na região onde mora, um treinador ou professor de tênis de mesa que queira treinar paratletas para o nível profissional paralímpico. E, em vista desse cenário, que não é exclusivo desse paratleta, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesas (CBTM) planeja ações para incentivar treinadores convencionais e professores de educação física para desenvolverem o paralímpico.

 

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