Chinesa quer defender Brasil no tênis de mesa e ir a Londres

25/04/2012 16:19

O Brasil poderá ter nesta semana sua primeira mesatenista naturalizada na história: a chinesa Gui Lin. O processo se iniciou em outubro de 2011, quando a atleta fez 18 anos. A expectativa era de que a situação já estivesse regularizada e que, no momento, ela pudesse lutar por vaga em Londres. Mas um descuido da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa impediu que isso acontecesse.

Segundo a líder de Seleções, Paula Emerenciano, o atraso ocorreu porque a renovação do visto permanente foi feita após o início do processo, ao contrário do que é indicado. Agora, os papéis já estão em Brasília e só aguardam o aval do Ministério da Justiça. Caso saia na data planejada, a chinesa terá oportunidade de disputar o Pré-Olímpico de Doha (QAT), em maio, e tentar vaga na Olimpíada-2012.

Gui Lin chegou ao Brasil aos 12 anos, vinda de um intercâmbio estudantil. Ela, que já treinava tênis de mesa, começou a estudar e, ávida pela nova cultura, optou por ficar mais tempo em São Bernardo (SP), núcleo do esporte no país.

O ex-técnico da Seleção Wei Jahrein foi quem deu a ideia para que Lin ficasse no Brasil. Aqui, teria mais destaque do que na China, país conhecido pelo alto rendimento na modalidade. Hoje, seis anos depois da chegada, ela já se considera bem adaptada à cultura brasileira.

– Nunca acreditei que pudesse ficar aqui. No início, morava com Wei, mas ele foi para o Canadá e passei a morar com outra família para aprender melhor o português – disse Lin, que ainda vive em São Bernardo.

Palmeirense e apaixonada por churrasco, ela já aprendeu o “jeitinho brasileiro”. Quando não está no treino ou na escola, vai a algum shopping center. E, quando dá, viaja para ver os jogos do time de coração.

Curiosamente, a chinesa já fez seu debute pelo Brasil, em 2008, apesar de não estar naturalizada. Beneficiada por regulamento da Federação Internacional, foi campeã no torneio de duplas no Aberto de Jovens da Itália, no ano passado, ao lado de Caroline Kumahara.

– Gui Lin é uma de nossas maiores esperanças. Se ela tivesse disputado o Latino-Americano, em março, teria obtido a vaga para Londres – disse o multimedalhista em Pan-Americanos Hugo Hoyama, de quem Lin é pupila.

Embora brasileiríssima, ela não se esquece de seus familiares, que vivem em Nanquim, apesar de as viagens impedirem contato maior. A última vez que os viu foi em agosto.

Bate-Bola

L!NET: O prazo para sua naturalização já foi adiado algumas vezes. Você fica nervosa com esta demora?

Gui Lin: Estou sim, fico aflita. Existe uma expectativa minha, pois quero logo defender o Brasil. Mas a CBTM está cuidando de tudo, confio neles. Quero ter a chance de disputar a Olimpíada de Londres.

L!NET: Imagino que sua adaptação não tenha sido fácil. Como foi no início?

GL: Eu tinha muita curiosidade. No começo só estudava, depois passei a treinar. A língua dificultou muito no início. Tinha vergonha de me relacionar. Mas fui brincando, e estou aqui em São Bernardo até hoje.

L!NET: Como é ser treinada por Hugo Hoyama? Você sente a importância dele para os brasileiros?

GL: No começo ele era nervoso, mas agora ele está melhor, eu o adoro. Sempre quando saímos juntos ele é parado para tirar fotos com fãs.

L!NET: Você já se adaptou ao Brasil?

GL: Tenho muito carinho pelo país, passei minha adolescência aqui, já tenho o “jeitinho brasileiro”. É engraçado, porque nunca pensei que isso pudesse acontecer, mas hoje moro com brasileiros que me tratam como se fosse filha.