Copa Brasil: de infância difícil, 'sortudo' Luiz Anjos lembra como tênis de mesa o tirou do 'caminho errado'

08/10/2016 08:17
Nascido em Ceilândia, Brasília, e de família humilde, jovem atualmente atua pelo Pro Tênis de Mesa Joaçaba, de Santa Catarina, e admite que, por pouco, não se afastou do esporte
 
Alexandre Araújo, em Toledo (PR) - 08/10/2016
 
Foto: Christian Martinez
 
"Eu sou um dos caras que eu conheço com mais sorte na vida. Outras pessoas não tiveram essa oportunidade que eu tive". A conclusão é de Luiz Anjos, de 17 anos, atleta que representa o Pro Tênis de Mesa Joaçaba-SC, e a tal sorte a qual ele se refere foi alguém tê-lo levado para a prática do tênis de mesa, o envolvendo no mundo do esporte. Nascido em Ceilândia, região de Brasília, o jovem, com muita maturidade, admite que, por pouco, não seguiu o "caminho errado" e lembra que alguns amigos de infância e familiares hoje estão presos por envolvimento com o crime. 
 
Ele não demonstra ter vergonha do passado, pelo contrário. Não mede esforços para contar suas experiências para que outras pessoas não repitam os erros que ele cometeu e outras tantas possam ter noção da importância do esporte na vida de moradores de áreas carentes.
 
"Comecei jogando handebol, com oito anos, mas, depois, meu técnico teve um problema de saúde e não pôde continuar. Daí, fui para o ping-pong. Fui aprendendo sobre a modalidade, evolui para o tênis de mesa e recebi um convite do Ernerto Takahara para treinar com ele. Aceitei e fui melhorando, mas, por conta de um problema de saúde do pai dele, ele teve de ir para São Paulo. Então, fiquei seis meses sem treinar e, neste período, já estava me envolvendo com coisa errada, me afastando do esporte, foi quando o pessoal do Joçaba me convidou. Saí de Ceilândia e passei a me dedicar ao tênis de mesa", disse ele, que completou:
 
"Todo mundo sabe a minha história, não tenho o que esconder. Sempre que posso, converso com as pessoas. O tênis de mesa transformou a minha vida. Morava na favela e conheço muita gente, até familiares, que estão presos. Eu consegui mudar o meu caminho a tempo. Essa não era a vida que eu queria. Tive uma chance e consegui aproveitar. Muitos têm talento, mas não tem uma chance como essa".
 
De família muito humilde, Luiz ressalta a vontade de fazer vestibular e garante que quer fazer do esporte a sua vida
 
"Pretendo fazer educação física. Vou aproveitar também que o esporte abre portas no ensino superior. Quero seguir nesta área e poder passar à frente tudo que aprendi. Quem sabe, poder ajudar crianças que tenham a mesma condição que eu tive", afirmou.
 
No tênis de mesa, porém, caso procure por Luiz Anjos, talvez, as pessoas não vão saber dizer de quem se trata:
 
"Pessoal me chama de Nissin. Quando cheguei a Joçaba, um dos meus colegas olhou para mim e falou: "Você parece o Nissin, daquele vídeo (Nissin Orfali)". Acabou ficando Nissin. Tem gente que nem sabe meu nome, só me chama assim (risos)", recorda.
 
Na Copa Brasil Centro-Norte-Nordeste, em Brasília, que aconteceu em abril deste ano, Luiz Anjos foi o campeão do Absoluto A, principal categoria da competição.
 

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.

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