Dos esportes radicais ao tênis de mesa: Aloisio Lima estreia em Jogos Paralímpicos após se reconstruir

05/09/2016 17:41
Com bom humor, brasileiro lembra passagem pela natação após acidente e demonstra confiança na delegação brasileira
 
Alexandre Araújo, no Rio de Janeiro (RJ) - 05/09/2016
 
Foto: Fernando Maia/CPB/MPIX
 
As mãos acostumadas a guiar motocicletas em trilhas e a controlar as cordas de rapel tiveram de aprender a manusear as raquetes do tênis de mesa. Depois de uma vida dedicada a exercícios radicais, Aloisio Lima teve que se reinventar e usou o esporte neste processo. Passados 12 anos, ele chega aos primeiros Jogos Paralímpicos tarimbado pela medalha de ouro conquistada na disputa individual da Classe 1, no Parapan-Americano de Toronto (CAN), no ano passado, e querendo fazer desse momento algo ainda mais inesquecível. 
 
Aloisio perdeu o movimento das pernas após uma queda de 60 metros, durante a descida de um paredão. Em busca de qualidade de vida, voltou-se ao esporte e chegou ao tênis de mesa depois de uma frustrada tentativa na natação - a recordação da investida nas águas rende boas risadas do próprio. Com a raquete nas mãos, ele descobriu que a atividade adaptada também pode dar injeções significativas de adrenalina, até mesmo para o mais radical dos esportistas.
 
"Quando me deparei para a realidade do que tinha acontecido, fui procurar um esporte, incentivado pela minha esposa. Estávamos pensando na prática desportiva não como competição, o foco era a melhora na qualidade de vida. Fui para a natação em um primeiro momento. Não sei nem se era natação que se chamava porque, para mim, era submersão. Eu vivia debaixo d'água, nadava igual martelo sem cabo (risos). Fiquei três meses sofrendo na piscina, foi quando chegou o tênis de mesa no local onde eu nadava. Fui ver como era e acabei me deparando com uma adrenalina até maior que a que eu vivenciava", disse ele, que completou:
 
"Eu vivia uma adrenalina constante, mas não era com espírito competitivo, era no sentido do extravasar. Aqui tem de ter esse espírito de competição e quando tem que fazer essa transição, é complicado. Na verdade, ainda estou me adequando a isso. Quando se está em um esporte de competição, não tem como não se cobrar. Nós nos cobramos demais e, se não tomarmos cuidado, essa adrenalina pode ir para um lado negativo. Se conseguirmos dosar isso, acontece igual ao Parapan, onde todo mundo saiu com uma medalhinha (risos)". 
 
O incentivo familiar à prática de atividades físicas continua, mas não de maneira irrestrita, ressalta Aloisio, com muito bom humor. O atleta lembra também que, agora, se dedica a outro "esporte radical".
 
"Em 2009, teve um evento na Costa Rica e fui com minha esposa. Após o evento, fomos dar um passeio e achamos uma tirolesa no meio do mato. Pensei em fazer, mas quase apanhei (risos). Para este tipo de aventura, já não tenho mais total apoio, né? Meu esporte radical, hoje em dia, é cuidar dos meus três filhos, um de seis anos e dois de sete anos. Três crianças pequenas em casa é esporte radical o suficiente já!", brincou.
 
O primeiro treino na arena onde vão acontecer as partidas marcou o atleta, que demonstra confiança na delegação brasileira na Rio 2016.
 
"São meus primeiros Jogos, então, foi a primeira vez que entrei no palco do espetáculo. Foi até meio impactante. E foi bom porque já vai diminuindo a ansiedade e a gente vai se ambientando melhor. Fizemos um trabalho muito bacana neste período de preparação. Vejo com muito bons olhos o que vem acontecendo e acho que a resposta dos atletas tem sido bem positiva", afirma.
 
Aloisio salienta ainda que participar dos Jogos Paralímpicos provoca reflexões de tudo que foi feito para que esse sonho pudesse ser realizado.
 
"Estar na Paralimpíada é bem legal porque temos esse 'revival' o tempo todo. A chegada ao Rio já foi legal, começamos a pensar em tudo que aconteceu conosco. Cada momento novo nos faz pensar nisso, em tudo que passamos para chegar aqui hoje. Pensamos demais na família, em tudo que fizemos neste período, em toda a dificuldade... E não só no tênis de mesa, mas na vida, com a necessidade de reabilitar. Não tem como não fazer essas reflexões", concluiu.
 

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.

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