Jogador e técnico, Raphael Moreira estende jornada de sucesso na Europa

23/02/2016 13:07

Paulista ampliou sua estadia na Europa devido à oportunidade de disputar competição continental como jogador

Da redação, no Rio de Janeiro (RJ) – 23/02/2016

Aproximadamente seis meses depois de deixar o Brasil rumo a Portugal, em intercâmbio pela Universidade de São Paulo (USP), Raphael Moreira não tem do que se queixar. Além de seguir se aprimorando como técnico de tênis de mesa, o jovem de 22 anos ainda conquistou um título impensável para quem havia desistido da carreira de jogador: campeão nacional por equipes, com a Universidade do Porto.

“Eu, Jorge Costa, meu companheiro no meu clube Guilhabreu, e o Jorge Gonçalves, ganhamos o Campeonato Nacional Universitário e nos classificamos para os Jogos Europeus Universitários, em julho, na Croácia. Com isso eu renovei meu intercâmbio por mais um semestre”, contou Moreira.

O resultado, porém, ainda é menos importante do que toda a bagagem que Raphael está adquirindo no continente Europeu. Atualmente, ele é auxiliar técnico na equipe de tênis de mesa adaptado no Porto

 e jogador do Guilhabreu, onde em breve também assumirá a função de treinador.

“No Guilhabreu eu tenho treinado mais do que trabalhado, porque o objetivo do clube é se manter na primeira divisão. Estamos indo razoavelmente bem nessa meta, mas todos os dias meu foco tem sido jogar. A partir de abril eu devo trabalhar mais diretamente com as crianças”, explicou o brasileiro.

Na verdade, a performance do Guilhabreu tem sido um pouco acima do “razoável”, já que a equipe está em quinto lugar na Primeira Divisão da Liga Portuguesa, e ainda tem chances de se classificar aos playoffs, restando três partidas a serem disputadas até o fim da competição.

“Tem sido uma experiência sensacional também. Nós jogamos contra equipes muito fortes, como o Sporting, que tem o Quadri Aruna (37º colocado no ranking mundial), por exemplo. Viajamos para Lisboa, Ilha da Madeira... Pegar essa vivência é muito bom”, comemorou Moreira.   

Fora da mesa, bagagem lotada com o melhor do tênis de mesa mundial

No cotidiano, Raphael lida diretamente com Pedro Rufino, ex-técnico e campeão europeu com a seleção portuguesa. Mas ao longo de sua estada, o paulista já teve a oportunidade de estar em diferentes competições de alto nível, como expectador.

“Eu tive a oportunidade de ver o Grand Finals, em Lisboa, que reuniu os 16 melhores da temporada. Foi incrível poder ver os melhores do mundo, jogando num ginásio lotado.  Impressionante ver o profissionalismo de China e Japão principalmente, que tinham comissões multidisciplinares muito grandes para a competição”, recordou ele, sobre o torneio que aconteceu em dezembro.

Mais recentemente, a Alemanha foi seu destino em duas oportunidades: primeiro acompanhando o Aberto da Alemanha, no fim de janeiro, e depois num estágio realizado na cidade de Düsseldorf, no centro de treinamento da seleção alemã.

“Programei minhas férias para estar livre e pude acompanhar o Aberto da Alemanha. Foi uma das etapas mais fortes dos últimos anos e foi sensacional conseguir assistir diversos grandes jogos e ainda estar com o Hugo Calderano”, destacou.

Uma das coisas que chamou a atenção do ex-companheiro de Calderano, nos tempos de jogador, foi a idolatria que o carioca está construindo, nesta que é sua segunda temporada no país.

“Eu e Hugo temos uma amizade desde que jogamos juntos pelo Brasil e ele por estar aqui também deve sentir um pouco a falta de brasileiros, então conversamos muito, foi bem legal. Também vi ele dando autógrafo para algumas crianças. Bacana ver como ele está se tornando aos poucos um ídolo na Alemanha”, observou.

E se o papo e a saudade do Brasil foram grandes naquela ocasião, maior ainda foi a surpresa de Raphael com o evento – a tal ponto que ele somente fez comparações com a maior potência da modalidade.

“Pela quantidade de jogadores bons e o bom público, foi uma experiência muito diferente. Todos os presentes vibravam muito com os pontos, foi uma coisa que até então eu só tinha visto na China, e isso com ingressos que não eram baratos para um evento esportivo”, ponderou.

Menos de duas semanas depois, Moreira chegou a Düsseldorf, para acompanhar de perto uma semana de treinamentos da seleção alemã, intermediado pelo francês Michel Gadal, consultor internacional da CBTM.  Entre os jogadores, Dimitrij Ovctcharov (5º colocado no ranking mundial), Timo Boll (9º), Ruwen Filus (42º), entre outros.

No local, uma infraestrutura de respeito, que inclui dois ginásios, hotel para acomodação de visitantes e atletas, espaço reservado para as categorias de base, escritórios e auditório.

“Fiquei realmente fascinado, porque é uma estrutura muito parecida com a do Shandong Luneng, que vi quando fiz o intercâmbio para a China. Os atletas não precisam se preocupar com nada”, apontou Raphael.

Além da estrutura, o jovem não deixa de apontar a unidade da seleção como um ponto fora da curva. O principal segredo é manter os mesmos atletas treinando de maneira programada e evoluindo paralelamente.  

“O que acredito ser o diferencial é o nível do grupo, que conta com cerca de oito atletas no masculino e dez no feminino e se reúne regularmente para além de seus compromissos com os clubes. Então ser profissional, estar jogando numa Liga e ter esse grupo se reunindo faz a diferença”, apontou.

Com tantos bons exemplos tão perto, engana-se quem pensa que Raphael Moreira se esqueceu do Brasil. Pelo contrário, todas as suas observações também incluíram a lembrança do atual panorama nacional e como podemos melhorá-lo.  

“A conclusão que eu chego após ver diversos centros de treinamento aqui na Europa é que não estamos muito longe das potências em termos de treinamento. E esse apoio da CBTM na formação dos técnicos não pode parar, pois a tendência é seguirmos crescendo”, elogiou, antes de completar.

“Claro que ainda estamos atrás na parte técnica, mas acho que a grande chave é tornar o esporte mais profissional, dar condições aos atletas para se manterem jogando e não deixarem o tênis de mesa para cursar uma faculdade”.

Com alguns meses pela frente em Portugal, o técnico (e jogador nas horas vagas) não tem planos ambiciosos para seu retorno ao Brasil. A maioria deles reside somente em permanecer trabalhando no esporte que ama.

“A princípio o primeiro grande objetivo é me formar (risos). Depois disso é exercer minha profissão e é claro que eu quero trabalhar com o tênis de mesa. É onde as portas tem se aberto para mim, é o que eu gosto de fazer e o motivo pelo qual eu comecei na Educação Física”, concluiu.

A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa conta com recursos da Lei Agnelo/Piva (Comitê Olímpico do Brasil e Comitê Paralímpico Brasileiro) – Lei de Incentivo Fiscal e Governo Federal – Ministério do Esporte.

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