Foto: Vagner Marques/CBTM
Vestir a camisa da Seleção Brasileira pela primeira vez é um momento com que todo atleta sonha - para Felipe Kenzo, o início de tudo; para Beatriz Fiore, a reta final de um ciclo que ajudou a construir quem são dentro e fora da mesa. No Campeonato Sul-Americano Sub-15 e Sub-19, em Chapecó (SC), duas gerações dividem o mesmo espaço - mas vivem sentimentos completamente diferentes.
De um lado, os atletas do Sub-15 dão os primeiros passos com a Seleção. Entre a ansiedade da estreia e o impacto de representar o país, o momento é de descoberta. A rotina, o ambiente e o nível de exigência são novos, e cada ponto disputado carrega um peso especial.
Com apenas 14 anos, Felipe Kenzo vive exatamente esse cenário. Natural de São Paulo, o jovem atleta começou no tênis de mesa em 2022 e, com dedicação, já chegou à Seleção Brasileira.
"Eu não tinha certeza se seria convocado, então estava muito ansioso. Quando saiu a convocação, foi uma felicidade muito grande, uma gratidão por todo o esforço que eu fiz e por todo mundo que me apoiou", disse Felipe.
Às vésperas de sua estreia no Sul-Americano, Felipe Kenzo vive a expectativa pelo primeiro jogo com a camisa da Seleção Brasileira. Em meio ao desejo por resultados, ele encara esse início com leveza - sem permitir que o peso do momento interfira em seu desempenho dentro da mesa.
"Todo mundo quer ganhar, conquistar uma medalha de ouro, e esse também é o meu objetivo. Mas eu quero jogar bem, me divertir e conseguir dar o meu máximo dentro da mesa", completou.
E é justamente essa combinação entre competitividade e leveza que também marca o outro lado da delegação. Em sua última participação em um Sul-Americano de base, Beatriz Fiore reforça a importância de não perder essa essência ao longo da trajetória.
"Eles levam tudo com uma leveza muito grande, tudo é divertido. E eu acho que a gente nunca pode perder isso. Conforme você cresce, o esporte vai ficando mais sério, você se dedica cada vez mais, mas é importante manter um pouco dessa leveza. E o Sub-15 traz muito isso", disse a veterana.
Essa troca entre gerações se reflete dentro da equipe. Enquanto os mais novos vivem o impacto da estreia, os mais experientes assumem um papel natural de liderança, ajudando na adaptação e contribuindo para o equilíbrio do grupo - lugar que também é resultado da própria trajetória construída ao longo dos anos.
"No Sub-11 e Sub-13 não tive os melhores resultados, mas foram fundamentais como aprendizado e, principalmente, diversão - que no fim é o que faz você continuar. No Sub-15 o jogo já ficou mais sério e eu consegui ser campeã, foi um momento muito importante", comentou.
"No Sub-19, fiquei dois anos fora da seleção, o que foi difícil. Tive que batalhar bastante pra continuar acreditando no meu propósito. No ano passado consegui voltar e ser campeã, então chego para esse Sul-Americano com uma mentalidade diferente, mas com a mesma ideia: dar o meu melhor. É isso que está no meu controle", completou.
Agora, do outro lado desse ciclo, Fiore também assume naturalmente o papel de referência para quem está começando - e transforma a própria trajetória em conselho para os mais novos.
"Eu diria para a Beatriz que começou lá atrás aproveitar cada momento e se entregar ao máximo dentro da mesa. A gente não tem controle sobre o resultado, mas pode garantir a entrega. E aproveitar cada momento, porque a gente nunca sabe quando vai ser a última vez", finalizou.
Beatriz Fiore volta à mesa nesta segunda-feira (30) para disputar sua última competição por equipes em um Sul-Americano de base. A equipe feminina Sub-19 enfrenta a Venezuela na semifinal, às 11h45, em busca de uma vaga na decisão.